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Artigos & Publicações


SILVEIRA, José Ricardo."Tendências da Qualidade para o Próximo Milênio". Revista Banas Qualidade, Edição de novembro de 1999.


Como no caso da piada, podemos ter uma boa e uma má notícia.

Comecemos pela boa. No próximo milênio, desaparecerão os "modismos" e os seus admiradores. As organizações deixarão de aplicar metodologias sem entendê-las. O que são? Para o que servem? Para que foram feitas? Que repercussões ou conseqüências terão para o sistema organizacional? As organizações, terão visão sistêmica; saberão que não basta ter uma técnica, uma ferramenta; mas precisarão conhecer e praticar os conceitos que estão por trás delas. Igualmente se preocuparão em verificar se o ambiente do sistema organizacional é ou será compatível com a metodologia. Verificarão se o discurso condiz ou tem a tendência para condizer com a prática, com a vida do dia-a-dia.

No próximo milênio, as organizações deixarão de agir por impulsos. O acontecimento do dia, não paralisa, é levado em consideração, mas não é o elemento exclusivo na tomada de decisão. Acompanharão o que se passa no mundo, com os atores do seu sistema, mas se recusam a adotar novas formas de atuar simplesmente porque alguém o fez ou recomenda. Farão da "constância de propósitos" um princípio de gerenciamento. Deixarão de usar o "faz de conta" como forma de conduzir um trabalho empresarial.

No próximo milênio, consultores serão profissionais que estudarão mais; serão capazes de entender que existem muitas formas diferentes de fazer um mesmo trabalho. Saberão que o executante precisa conhecer o "por que", o "como" e ter condições para participar da escolha do processo e da metodologia usados em sua atividade profissional. Os consultores serão praticantes do que ensinam ou propõe. No próximo milênio, quem ensina saberá que pessoas aprendem de forma diferente, por processos diferentes. E que as pessoas tem o direito de terem estas formas e processos respeitados.

Um caso que não existirá mais: José Antônio Flávio Filho vem de suceder ao pai, empresário de sucesso, na empresa familiar. No seu brilhante curso de MBA, ouviu falar da Qualidade Total (TQM, como diziam...). Não teve dúvidas: nomeou um dos seus mais competentes engenheiros para "implantar a TQM na empresa", no menor prazo de tempo. Prometeu ao nomeado Alfredo "não intervir": "como não entendo exatamente o que preciso fazer, você tem a minha autorização para fazer o que achar que deve ser feito; procure-me em caso de necessidade". E assim fez...Passado algum tempo, quis saber do Alfredo, "como estava o TQM". Este fez um relato minucioso das ações que estava fazendo e do esforço para implantar a norma ISO na organização. José Antônio estava apreensivo porque os negócios não estavam tão bem como no tempo do seu pai (e este cobrava resultados do filho...). Passado algumas semanas, José Antônio reuniu seus auxiliares diretos e decidiu ser necessário fazer uma "reengenharia": reduzir o pessoal. Alfredo não disse nada na reunião ("não era bom contrariar o chefe, sobretudo quando ele ficava nervoso...").Dito e feito! Um ano depois, a empresa estava mais "enxuta" como proclamava José Antônio, e ainda por cima, a certificação ISO já estava praticamente decidida. "Isto mereceria uma festa", pensou. E passou à ação: mandou sua secretária convocar 15 pessoas, de diversos níveis hierárquicos, para uma reunião, ao fim da qual deu a estas pessoas a tarefa de organizar a "festa". Mas surpreendeu-se quando uma moça da produção perguntou o que era "certificação". Ou quando um dos supervisores informou que o seu pessoal estava apreensivo com a convocação da reunião; seria um novo "facão" que estava sendo preparado ? Ou ainda quando um outro funcionário da Logística perguntou se a partir do dia da festa, ele podia voltar a fazer o seu trabalho normalmente, pois tinha sido "obrigado" a mudar tudo o que fazia por causa dos "malditos auditores"... Quinze dias se passaram e o grupo não conseguia programar a festa...José Antônio lembrou-se então do Alfredo e do TQM; "finalmente, não seria nesta hora que o TQM fosse posta à prova?". Alfredo "honrado com a lembrança" do patrão, disse que estava ainda muito ocupado com a Certificadora e com as últimas exigências dela para emitir o "diploma"... Logo depois, José Antônio, pai, entrou no seu escritório, berrando: "acabei de passar na Contabilidade, e a situação da empresa é muito ruim; o que você vai fazer?". José Antônio, filho, teve outra lembrança: um seu colega do MBA era agora Consultor famoso...Agendou imediatamente uma entrevista com ele e na saída já tinha a saída: iria introduzir na empresa o POM (Management by Order and Progress) desenvolvido nos Estados Unidos e cujos princípios eram a "Inteligência Emocional" e o "Defeito Mínimo"...
Um ano depois, a festa da certificação ainda não tinha sido feita, o TQM acabou quando o Alfredo foi despedido, mas "o POM estava em pleno desenvolvimento", conforme dizia o Pedro, jovem administrador, contratado por indicação do Consultor da metodologia. Mas o pior era que a empresa estava à beira da falência...

Agora, a má noticia: no próximo milênio, tudo poderá continuar como hoje...Histórias como a do José Antônio, do TQM, do POM, etc. continuariam sendo contadas e muitas pessoas continuariam vivendo a custa dos "incautos" ou dos "ingênuos"... Quem decide entre a boa e a má notícia? Podemos fazer alguma coisa? Eu acredito que sim!



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