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SILVEIRA, José Ricardo."O incrível jogo do Faz de Conta".


O dicionário me informa que no Rio Grande do Sul, "Faz de Conta" tem o significado de "marido enganado pela mulher". Meu propósito neste artigo não é tratar deste aspecto doméstico familiar do "Faz de Conta", muito embora ele pudesse servir mesmo de ilustração para o que acontecesse com muitos Gerentes dentro das empresas.

As outras definições do Dicionário para a expressão "Faz de Conta" são: "viver fora da realidade" e "viver na fantasia." Quero mostrar que isto ocorre nas Organizações, sejam elas empresariais ou não. E dar uma idéia sobre como tratar esta "doença", que muita gente pensa ser incurável.

Se não vejamos situações que os Gerentes vivem cada dia:

  • sabem que certas regras não são obedecidas;
  • sabem que circulam boatos mal intencionados;
  • sabem que o que é dito nem sempre é praticado;
  • suspeitam que algum empregado pode lhe prejudicar no futuro;
  • têm dificuldades em saber se o que lhe contam é verdadeiro;
  • têm receio da reação de algumas pessoas, se exigir mais;
  • "escondem" dados e informações, pois não tem confiança em algumas pessoas;
  • gostariam de trabalhar sozinho, pois os outros atrapalham!

O que fazem então? Como tratam destas situações desconfortáveis? Provavelmente nada!

E a maior defesa para o desconforto é "fazer de conta" que tais situações não existem. Esquecer delas! Este tipo de defesa psíquica para situações insolúveis é um mecanismo muito conhecido dos psicólogos e psiquiatras.

Mas será mesmo que não há "cura"? A imensa maioria dos "Faz de Conta" estão intimamente ligados à comunicação entre pessoas. E duas atitudes são praticadas: "o Curto e Grosso" e o "Pano Quente".

O "Pano Quente" tem a maior quantidade de adeptos, decorrentes, entre outras coisas, de uma má compreensão das reiteradas pressões que o mundo moderno exerce sobre as pessoas: viver em paz, respeitar o outro, buscar a cordialidade, não criar atritos, evitar rupturas nos relacionamentos, etc. Consiste em ficar calado, "passar por cima", contemporizar; em outras palavras não dizer a verdade ou verdades…

Já o "Curto e Grosso" é praticado por "todos poderosos", no exercício do poder (mas que geralmente não duram muito) ou por alguns outros que chegam ao limite da resistência frente a um "Faz de Conta". Geralmente é eficaz para acabar com um "Faz de Conta", mas as conseqüências costumam serem graves: a ruptura e ou o ódio, situações que, a termo, não são duradouras.

Podemos dizer que no "Pano Quente", a pessoa pratica a mentira com consideração; no "Curto e Grosso", a verdade sem consideração". Sem "consideração" porque não levam em conta o que sabe e pensa o outro (o que quase sempre é diferente do que sabemos ou pensamos).

Penso que o "Faz de Conta" tem jeito de ser evitado. De duas formas: primeiro, praticando a "verdade com consideração" e segundo, procurando os pressupostos que existem por traz de todas as situações de conflito entre pessoas. Falar a "verdade", com verdadeiro afeto e consideração, gera respeito e confiança entre as pessoas. Mas não é fácil de ser praticado. Exige autocontrole, generosidade, admiração pelo ser humano, segurança em si, compaixão. Exige ainda que esta forma de comunicação seja permanente, isto é, praticada sempre. A prática ocasional da "Verdade com Consideração" pode ser confundida com o "Curto e Grosso".

Já a análise e a descoberta dos pressupostos exige uma certa prática. A separação entre fatos e julgamentos é indispensável. Geralmente temos a tendência de confundir os fatos com a interpretação que fazemos deles. Na lista de situações mencionadas acima, há uma nítida mistura entre fatos e julgamentos. Se não vejamos:

- Quando digo que alguém não obedece a uma regra, isto não é um fato. O fato seria assim descrito: "fulano", no dia tal, praticou o seguinte ato "xxxx". Comparar este fato com a regra existente é um julgamento; assim quando digo que houve desobediência, estou fazendo uma avaliação, presumindo que a pessoa que praticou o tal ato sabia, tinha plena consciência, de que estava transgredindo uma regra. Ou seja, o pressuposto é de que a regra era bem clara para a pessoa que praticou o ato. Será isto verdade? Muitas vezes regras podem ter interpretações diferentes!

- Quando digo que "circulam boatos mal intencionados", expresso o julgamento sobre as noticias veiculadas. O próprio uso da palavra "boatos" já carrega um julgamento de valor. A primeira providência para analisar pressupostos neste exemplo, é bem descrever as noticias, com todas as suas circunstâncias (local, dia, hora, etc). Temos então o "fato". Depois procuraremos os "pressupostos". Um possível é de que a(s) pessoa(s) que retransmitem a noticia, o façam levados por uma vontade de apenas "contar uma novidade", compartilhar ingenuamente o que sabem, sem nenhuma intenção de maldade. É claro que um outro pressuposto é o de efetivamente ter "má fé", procurar prejudicar alguém.

- Quando não tenho confiança em uma pessoa, estou manifestando o meu pressuposto sobre ela. Talvez seja muito importante saber porque. O que me levou a fazer tal julgamento? Houve fatos que comprovem o que penso? Ou apenas se trata de um sentimento gerado gratuitamente (como, por exemplo, ter dinâmicas de personalidade diferentes)?

Costumo usar um exemplo que me parece muito didático para explicar a diferença entre "fato" e "julgamento": quando você está no trânsito e alguém buzina atrás. Buzinar é um fato. Quais seriam os "pressupostos"? A reação mais provável é de irritação; você diria: "passe por cima ô imbecil". Mas pode haver outra hipótese: o "buzinador" queria ajudar; desejava alertar que uma porta traseira estava entreaberta (e, o mais grave, havia uma criança no banco traseiro…).

A metodologia desenvolvida pela SIEG para análise dos chamados "Casos Críticos" (ver Conferência Diálogo Seriada) é uma ferramenta eficiente para descobrir pressupostos, em cada situação. Evidenciando-os, temos todas as condições para entender casos complicados de conflitos e frustrações. E depois de saber como reduzir as conseqüências, eliminando os "Faz de Conta".

O hábito de fazer a distinção entre fatos e pressupostos ajuda a praticar a "Verdade com Consideração". No fundo, corresponde a usar um preceito bíblico que diz "não julgue para não ser julgado". Ou ainda outro que recomenda "quem não tem pecado, que jogue a primeira pedra".

Sobre o autor: José Ricardo da Silveira - Engenheiro - ITA 1959 35 anos de experiência profissional em gerenciamento empresarial. 7 anos de residência na França. Atualmente Consultor de Processos de Gerenciamento. Co-responsável pela tradução do livro "Human Dynamics" para o português. Sócio Diretor da SIEG - Sociedade Internacional para Excelência Gerencial

 


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